Robôs inteligentes com feições humanas foram o grande destaque da Waic (Conferência Internacional de Inteligência Artificial). O evento, realizado na semana passada em Xangai, na China, apresentou o Origin F-1, modelo fabricado pela empresa AheadForm. O produto possui feições femininas ultra realistas e tem como diferencial a capacidade de manter conversas por meio de um software equipado com IA (inteligência artificial).
Apresentado apenas em busto (sem braços, tronco ou pernas), o robô foi desenvolvido com “pele” de silicone expressando reações por meio de movimentos da boca e dos olhos. Durante a demonstração, o modelo tremia sutilmente e piscava lentamente, imitando o olhar humano. O evento ainda apresentou outros modelos de robôs humanoides capazes de interagir com o público, reunindo aproximadamente 100 robôs de diferentes categorias.
Entretanto, o Origin F-1 chamou atenção principalmente pelo realismo da pele de silicone, que tornou sua aparência bastante convincente. Apesar do interesse despertado, robôs com feições humanas não são o principal objetivo da indústria robótica global, inclusive na China. A maioria dos humanoides existentes possuem visual simples e menos realísticos, já que o foco é executar tarefas em ambientes de trabalho, reduzindo custos e priorizando a funcionalidade.
Desconfiança ainda é um desafio
Apesar do destaque durante a feira, robôs com feições humanas ainda apresentam algumas desvantagens em relação à aceitação pelo público. A grande semelhança com pessoas pode causar estranheza e até mesmo desconfiança entre os consumidores. Em sua palestra na Waic, o diretor sênior de marca da XPeng, Daniel Wu, afirmou que essa também foi uma das conclusões da equipe responsável pelo desenvolvimento do Iron.
O robô da empresa ganhou destaque no ano passado pela movimentação fluida e natural, semelhante à de um ser humano. Mas, no caso do Origin F-1, a novidade apresenta alguns detalhes que lembram personagens de animação, como traços faciais sutis e olhos maiores. Essas características contribuem para aumentar a aceitação do público, sendo uma estratégia deixar o robô mais “simpático”. Além dos humanoides, a AheadForm também desenvolve modelos inspirados em elfos, criaturas da mitologia nórdica.