A NASA alcança um importante avanço que poderá impactar no desenvolvimento de aeronaves comerciais e normas regulatórias da aviação. Visando embasar mudanças nos voos supersônicos sobre áreas terrestres nos Estados Unidos, a agência concluiu os primeiros voos de teste acima da velocidade do som com o jato X-59. O modelo experimental foi desenvolvido para reduzir o impacto sonoro provocado por esse tipo de operação, sendo considerado um avião “silencioso”.
Conforme divulgado na imprensa, a agência espacial realizou o segundo voo de teste em 20 de março, próximo ao Centro de Pesquisa de Voo Armstrong, em Edwards, na Califórnia. A iniciativa da NASA busca reunir dados que embasem futuras mudanças nas normas da aviação, comprovando que o jato produz um ruído menor do que o registrado por aviões supersônicos convencionais.
A tecnologia inovadora do jato
A proposta é que o X-59 produza um ruído de 75 PldB, um valor bem inferior aos cerca de 105 PldB atribuídos ao Concorde, aeronave comercial supersônica que marcou a aviação entre 1976 e 2003. Assim, a novidade não emitiria o conhecido estrondo supersônico, mas sim um ruído mais suave, diminuindo os incômodos causados às pessoas em solo.
Desenvolvido pela Lockheed Martin em parceria com a NASA, dentro da missão Quesst, o X-59 recebeu um projeto diferenciado, com nariz alongado, motor posicionado na parte superior e asas desenhadas para controlar a formação das ondas de choque. A distribuição das ondas ao longo da fuselagem permite que elas percam intensidade antes de alcançar o solo.
“O resultado é que o ouvido humano perceberá um ‘baque’ ou um ‘sopro’, em vez de um estrondo sônico típico”, explicou Peter Coen, responsável pela missão. A cabine seria outro diferencial do jato. Devido ao longo nariz, o piloto não conta com uma janela frontal convencional. A visualização é feita por um sistema com câmeras de alta resolução via monitor 4K, transmitindo imagens em tempo real e informações de voo em realidade aumentada.
Próxima etapa do projeto
A próxima etapa da missão prevê testes em diferentes comunidades norte-americanas. Durante cerca de um mês em cada localidade, moradores serão convidados a relatar como perceberam os sons emitidos pelo X-59. Os dados coletados serão enviados à Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos e à Organização da Aviação Civil Internacional para auxiliar em futuras normas para voos supersônicos sobre áreas terrestres.